Artigo001As crianças e o aprendizado dos Katas  

Parece fácil, mas, na verdade, o kata é considerado difícil para os iniciantes de karatê. Sabemos que existem pessoas naturalmente talentosas para a prática e, por outro lado, aquelas que apresentam maior dificuldade para desenvolvê-la. Um professor coerente é peça fundamental dentro do dojô para saber identificar e administrar essas diferenças. Muitas vezes, porém, profissionais tratam as crianças como se fossem adultos em miniatura. Se o professor não souber dosar treinamentos e lidar com a individualidade de seus alunos, acabará frustrando crianças que não conseguem acompanhar o ritmo de desenvolvimento de outros colegas.

               

Nos exames de trocas de faixas, em que, para o primeiro estágio, é necessário que o iniciante apresente o primeiro kata, temos freqüentemente juntos alunos de idade adulta e crianças de primeira infância – entre cinco e seis anos de idade – ambos os grupos com a mesma quantidade de aulas praticadas. É claro que é desumano exigir que essas crianças mostrem o mesmo desempenho, e com a mesma intensidade de um adulto.

Seria cômodo ensinar um mesmo kata para uma classe com faixa etária uniforme. Porém, deve-se levar em consideração indivíduo por indivíduo e idade por idade. Assim, talvez seja mais conveniente exigirmos dessas crianças, em um exame de graduação inferior, apenas uma ou duas seqüências do kata, do que pedir-lhes que demonstrem um kata inteiro com as mesmas qualidades de um adulto. Deste modo, não as frustramos com uma exigência tão severa.

Como toda regra comporta exceções, não se pode generalizar tanto nesta questão. Em 1993, tivemos um aluno, de apenas sete anos de idade, que, em dois anos de treinamento, executava um kata de nível superior com as mesmas características de um adulto. Seu desempenho era totalmente natural e ele apresentava todas as qualidades físicas e expressões faciais necessárias para um kata de alto nível. São raras as ocasiões em que crianças atingem esse estágio, sem sofrer as mesmas cobranças que são feitas aos atletas de alto nível. Nesse caso, tínhamos um grande talento natural no dojô. Normalmente, praticantes como esse representam uma parcela muito pequena do todo dos alunos.

Devemos, por fim, pensar no kata como uma fonte de treino para desenvolver a capacidade física dos praticantes em primeira instância, embora existam muitas razões para se praticar katas

 

Sensei Jose Aguiar

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