ENNIO VEZULLI UMA VIDA DEDICADA AO KARATE!



Uma conversa com o mestre Ennio Vezulli é viajar pelos 40 anos de história da Federação Paulista de karate, do primeiro ao último dia. É conhecer o nascimento, os primeiros problemas, cada uma das vitórias e derrotas e principalmente entender como um sonho virou uma das maiores entidades esportivas do Brasil. 



“A princípio o karate era subordinado a Federação Paulista de Pugilismo, era um momento muito difícil pois os caratecas não se sentiam representados e não tinham voz ativa nenhuma. A FPK começou a nascer em meados de 1970 quando o mestre Okuda chegou do Japão com ideias novas, montou um treino para o instrutores e esses instrutores começaram a buscar as autoridades, estávamos em época de ditadura e nada era feito sem o aval de quem comandava o país.” Lembra Ennio.

Os 3 anos seguintes seriam de muito trabalho para resolver burocracias, buscar alianças com o comando do país e principalmente fugir das amarras da Federação Paulista de Pugilismo. 

“Nesse momento os bastidores eram muito importantes, nós fechamos alianças com a alta cúpula do exército, tinhamos pessoas importantes que praticavam o karate, mas a Federação de Pugilismo queria manter o karate sob comando de qualquer maneira. Nós tínhamos trabalhado bem, estávamos articulados, num conselho era 22 membros do karate contra 15 ou 16 do pugilismo, até que chegou as eleições e conseguimos colocá-los na parede, ou eles nos deixavam seguir como uma entidade ou elegeríamos um presidente do karate dentro da Federação de Pugilismo”. Conta Ennio Vezulli.

O caminho para criar a FPK estava livre, o presidente seria uma das autoridades mais importantes na época, o General Henrique Palmeira D’Avila, e Enio com sua turma já havia providenciado toda parte burocrática.

“Eu junto com falecido Ricardo Gomes e Mario Seki deixamos toda papelada em mãos e no dia 14 de Setembro de 1974 a FPK nasceu. 
A primeira sede foi na Rua Vergueiro, quase esquina com a rua Santa Cruz e a Gentil de Moura, no mesmo local da academia do Mestre Okuda que foi um divisor de águas do karate brasileiro “. 

“Pensamos em tudo, até o logotipo da FPK já estava criado foi desenhado pelo Renato D’André, na época achamos feio, era só um rabisco. Hoje acho que me acostumei com ele” brinca Ennio Vezulli. 
A Federação Paulista de karate começava a dar os primeiros passos mas em grande estilo. Em 1975 foi organizado o “1 Campeonato de karate Interestilos”.

“Organizamos o primeiro campeonato com muito esforço, o Clube Monte Libano nos cedeu o espaço fizemos uma competição só de kumite e a Shotokan foi a campeã.” Relembra Ennio.

Os anos passavam e a FPK se estruturava, passou a ter sede fixa no Complexo Mauro Pinheiro no Ibirapuera, em 1985 Ennio Vezulli a contragosto assumiu a presidência da FPK. 

“Eu estava dividido, tinha minha empresa, minha vida pessoal mas aceitei o desafio montei um grupo muito bom com Denilson Caribé, Fausi Abdala João e Marco Antonio Fieldini, fomos abrir novos campos no interior, quando assumi tínhamos 20 academias filiadas e antes de terminar o primeiro ano estávamos com quase 200 academias de karate espalhadas por todas as partes do estado de São Paulo” Lembra Ennio Vezulli. 

O poder da FPK também era tamanho que dela saiu a que hoje é a entidade máxima do karate brasileiro. 

“Percebemos que o karate crescia em todas as partes do Brasil e precisávamos organizar isso, muitos de outros estados recorriam a nossa ajuda, então decidimos montar a Confederação Brasileira de karate. O Brasil precisava de uma entidade para conseguir abraçar todos os cantos , não era esse o trabalho da FPK”.

A boa relação criador e criatura não durou muito tempo, logo depois as divergências apareceram mas a FPK se fazia essencial para os planos do karate brasileiro.

“O Karate no Brasil passava pela FPK, comigo treinando fizemos o primeiro Campeão Mundial da história do Karate brasileiro. O Zeca foi para a Austrália fez o impossível e voltamos campeões mundiais frente a grandes potências, frente a países e atletas com muito mais tradição do que nós. Isso foi um marco num momento muito difícil e deixamos claro o quanto a FPK e o Karate de São Paulo era forte. 

Apesar de tantos feitos Enio não cumpriu o mandato de 4 anos, ficou apenas 2 anos, de 1985 a 1987, a frente da FPK e decidiu seguir a vida com negócios pessoais mas nunca deixou o karate de lado e faz questão de acompanhar de tudo de perto.

“A FPK passou por momentos muito difíceis, em alguns momentos não tinha recursos, não tinha sede não conseguia estrutura para os campeonatos e isso durou até agora quando o Zeca assumiu. Ele está voltando as origens da FPK, trabalhando as questões sociais, não se preocupando apenas com o karate esportivo, está recolocando nossa modalidade como defesa pessoal e formadora num contexto social. Certamente estamos no caminho, com espaços abertos nos órgãos públicos e isso é muito bom” Avalia Ennio Vezulli.

A FPK faz questão de agradecer a esse mestre que tanto fez e marcou a história do karate paulista e brasileiro. Certamente sem todo trabalho e dedicação dele nossa modalidade não estaria onde está hoje. Ennio Vezulli é um protagonista na história de sucesso nos 40 anos da Federação Paulista de karate. 

A FPK agradece!

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